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    Aumenta a procura de medicamentos para ansiedade e insônia na pandemia

    Em um mês, Farmacêutica registra aumento de 70% na venda de fitoterápicos. Crescimento do segmento é destacado como promissor no Brasil

    Folha Vitória

    De acordo com dados do Sindicato dos Trabalhadores das Drogarias no Espírito Santo (Sintrafarma), houve aumento de 20 a 30% na venda de medicamentos contra ansiedade, insônia e depressão durante a pandemia. A psiquiatra Giuliana Cividanes comenta que as reações emocionais neste período são comuns. Principalmente, quando o Brasil é considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) um dos principais países com transtorno de ansiedade, quase 9% da população brasileira é ansiosa.

    Entre abril e maio deste ano, um levantamento do Google mostrou que a palavra insônia foi a mais procurada em sua plataforma, com aumento de 130% na procura por substancias para auxiliarem o tratamento. Esse aumento foi também registrado pela filial brasileira da farmacêutica sul-africana, Aspen Pharma, com fábrica exclusiva no Espírito Santo. A empresa registrou aumento de quase 70% nas vendas do fitoterápico Calman no mês de maio, se comparado ao mesmo período do ano passado. A produção chegou a 188 mil unidades do produto que alivia os sintomas da ansiedade e da insônia.

    O medo de perder o emprego, da instabilidade financeira, receio de contaminação pelo novo coronavírus e o distanciamento social, são alguns fatores que implicam na mudança de comportamento da população. O CEO da Aspen Pharma, Alexandre França, reforça que esse momento de estresse e tensão fez com que a procura pelos fitoterápicos aumentassem consideravelmente.

    “Permanecer muito tempo em casa afeta o humor, a rotina, o sono. Então as pessoas buscam alternativas. Ao invés de ir direto aos medicamentos mais fortes, elas buscam aos fitoterápicos, que se adequem ao momento vivenciado, porque é algo momentâneo, não é uma patologia crônica”

    destacou França.

    Um exemplo é a estudante de biologia Yasmin Repinaldo, de 24 anos, que se queixa de ansiedade. “Primeiro por conta da incerteza, são muitas notícias na televisão, tanta informação nova de um vírus desconhecido, eu comecei a ficar paranoica e percebi que minhas emoções haviam mudado. Mas eu sempre busco alternativas mais naturais. Amo a fitoterapia e faço uso. Tomo chás naturais todos os dias e, quando me sinto mais ansiosa, uso Valeriana, que é um fitoterápico calmante”, contou a estudante de biologia.

    De acordo com Alexandre França, o segmento tem ganhado importância e tem um grande potencial de crescimento. “Isso se explica pela nossa matéria prima, que está totalmente acessível. Nós temos a Amazônia, que é uma grande riqueza em plantas medicinais e que pode auxiliar na fabricação dessas terapias”, afirmou.

    A Aspen Pharma abrange o mercado fitoterápico em cinco dos seis continentes do mundo. Conta com uma produção intensa, onde todos os produtos fabricados no Brasil saem da fábrica instalada na cidade da Serra, no Espírito Santo e exportados para mais de 120 de países diretamente.

    Ainda conforme França, uma análise de crescimento deste segmento é quando se compara com países desenvolvidos, como por exemplo a Alemanha. “Eles quase não possuem florestas, mas investem nesta área e o mercado de fitoterápico lá fora é muito bom. Agora imagine nós, que temos a matéria prima no ‘quintal de casa’, podemos crescer ainda mais”.  

    Contudo, Alexandre França alerta que é muito importante lembrar que os fitoterápicos não deixam de ser um medicamento. “O fator de ser isento de prescrição, torna mais fácil o acesso. Mas, é sempre importante deixar claro que é preciso ter atenção com a automedicação. Por isso, as empresas que tem este tipo de medicamento incentivam sobre o auto cuidado, que é saber cuidar de você mesmo, mas baseado em um suporte médico, ou no suporte do farmacêutico, é reunir o máximo de informações para tomar a decisão”.

    Alexandre França fala sobre os cuidados com a automedicação  

    De acordo com a psiquiatra Giuliana Cividanes, a interpretação do CEO está correta. “Muitas vezes, o farmacêutico que está presente na hora da venda, tem condições de indicar esses fitoterápicos. Em casos de reações de ansiedade em situações pontuais, como uma pandemia, os fitoterápicos resolvem. A passiflora é um dos mais utilizados, porque são calmantes e, muitas vezes, suficientes para resolver aquele momento de ansiedade”, disse a médica.

    Fitoterápicos podem causar dependência?

    Conforme a psiquiatra não. Mas é preciso observar a interação do fitoterápico com algum outro tipo de medicação que a pessoa toma, já que em alguns casos, a pessoa pode ter pressão alta ou diabetes por exemplo. “A metabolização de toda a medicação é feita no fígado, então um pode comprometer o outro, é preciso observar essa condição”, destacou Giuliana Cividanes.

    Sinais e sintomas da ansiedade

    O transtorno pode causar reações psíquicas e físicas de acordo com a médica. Um exemplo de sinal emocional é quando existe uma preocupação intensa, que causa aceleração dos pensamentos e impede que a pessoa se concentre nas atividades. Já os físicos, são aceleração dos batimentos cardíacos, dificuldade para respirar, sudorese e sensação de desmaio, por exemplo.

    Quando é preciso buscar ajuda?

    A psiquiatra alerta que ao observar que a ansiedade impede atividades simples do dia a dia, como dormir, estudar, conversar e dar atenção as pessoas, é importante recorrer a um especialista, para um diagnóstico e tratamento do transtorno. 

    A médica aconselha também que as pessoas busquem ajuda por meio da psicoterapia, que é uma prática consolidada, por meio de um tratamento pela fala

    Confira o áudio sobre a psicoterapia: 

    + SAIBA MAIS 

    Uma pesquisa de 2018, do SNGPC (Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados) junto à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), revela que os brasileiros compraram mais de 56,6 milhões de caixas de medicamentos para ansiedade e para dormir. Cerca de 6.471 caixas vendidas por hora; ou aproximadamente 1,4 bilhão de comprimidos em um ano.

    Em oito anos, as vendas desses oito medicamentos somaram mais de 505 milhões de caixas. ( Os números se referem a apenas o que foi vendido em farmácias e drogarias de natureza privada entre 2011 e 2018). De acordo com o SNGPC,  momentos sociais ruins fazem com que as pessoas também tenham uma percepção pior da saúde mental. Em 2015, por exemplo, quando o Brasil passava por uma crise financeira e o país enfrentou crescimento de desemprego, a venda de psicotrópicos aumentou consideravelmente.

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