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    Saiba o que mudou na etiqueta de videoconferência em tempos de coronavírus

    Talvez você já tenha recebido pelo WhatsApp algum vídeo engraçado de home office improvisado ao redor do mundo. É o marido que passa só de cueca ao fundo da cena, a criança que acerta a bola na tela do notebook, a conversa interrompida pelo latido enlouquecido do cãozinho pedindo atenção.

    Espera-se que coisas desse tipo aconteçam por conta da necessidade de adaptação urgente a uma situação que, para muitos, é inédita: trabalhar em casa.

    Todo o caos poderia estar reinando sem que ninguém percebesse, entretanto, se não fossem as videoconferências com colegas, chefes, subordinados ou clientes. São ocasiões que, nestes tempos de reclusão, funcionam como janelas para o mundo: você pode observar um pouco da intimidade dos outros e vice-versa.

    Ouvimos especialistas e preparamos uma síntese dos princípios básicos que devem ser levados em conta para todos que estão precisando encaixar videoconferências com mais frequência ao novo cotidiano. Afinal, a forma como você age e se apresenta neste período poderá ser importante para a sequência da sua carreira.

    Um cantinho para chamar de seu

    Esta é a principal regra. O ideal é ter um lugar na casa em que você possa fazer suas conversas com privacidade, silêncio, numa posição confortável, com um fundo estático (nada mais adequado que a clássica estante com livros) e iluminação correta. É importante também checar se o wi-fi funciona a contento no lugar escolhido.

    Nas atuais circunstâncias, com outras pessoas dentro de casa, é quase impossível encontrar um lugar que reúna todos esses requisitos. Mas quanto mais você conseguir se aproximar do cantinho ideal, melhor. Lembre-se que o ambiente que você transmitirá aos outros fará parte da imagem que eles terão de você durante e depois da crise.

    Faça combinados com a família

    A diretor de Recursos Humanos da Aspen Pharma Brasil, Patrícia Franco, diz que é fundamental deixar claro para todos em casa a necessidade de ter horários e regras para que o trabalho possa ser exercido com o mínimo de interferência. Antes das videoconferências, a família precisa ser alertada de que pessoas de fora “entrarão” no ambiente doméstico.

    “No começo é mais difícil até que todos se sintam adaptados à nova situação, mas com o tempo tudo é entendido e normalizado”, diz Patrícia.

    Por mais que as crianças sejam orientadas e os pais tentem criar tarefas para distraí-las, é normal que eventualmente elas se sintam entediadas. Por isso, enfatiza a diretora de RH, é preciso ter calma e paciência para reforçar a mensagem sobre a necessidade de respeito ao espaço de trabalho.

    Cuide da aparência

    Há uma piada circulando que sintetiza bem o espírito do momento: prepare-se para a videoconferência com os colegas como se fosse uma live para uma emissora de TV

    Afinal, não é porque você está em casa que vai se apresentar de qualquer jeito. Pijama, camiseta rasgada, cabelo desgrenhado, cara de quem acabou de acordar nem lavou o rosto…

    O ideal é se apresentar de forma semelhante à habitual. É claro que, se você costuma usar terno e gravata no trabalho, não precisa repetir esse nível de formalidade estando em casa. Mas não deve, por outro lado, apresentar-se com total informalidade, vestindo aquela camiseta desbotada e puída.

    “É importante colocar uma roupa que marque o início do expediente de trabalho”, diz a consultora de estilo e de imagem profissional Fabiana Corrêa. “O homem pode escolher uma camisa bacana e a mulher uma blusa mais fechadinha, além de uma maquiagem básica, um brilhinho”, aconselha. Ambos, ressalta ela, devem ter uma preocupação especial em ajeitar o cabelo, ainda mais nesses tempos em que estamos todos afastados dos salões de beleza e barbearias.

    E nada de truques na parte de baixo, brinca Fabiana. “Já soube de casos de pessoas que só se preocuparam com a parte de cima, porque é a que aparece no vídeo, e se esqueceram completamente disso quando levantaram para pegar algo”, diverte-se.

    Seja pontual e objetivo

    Pontualidade é um fator ainda mais importante nas reuniões a distância. Fazer os outros esperar é sempre ruim, mas nessas circunstâncias é ainda pior, pois cada um está envolvido com uma série de atividades simultâneas, sem tempo a perder.

    Outra característica que precisa ser ainda mais exercitada neste período é a objetividade. Sabe aquelas conversas sobre futebol para “esquentar” os encontros presenciais? Evite. A videoconferência é um encontro que precisa ser prático e direto. Conversas sobre amenidades podem ser feitas por outros meios, como o WhatsApp.

    “Se você faz uma reunião de uma hora com cinco pessoas, seu time ‘gastou’ cinco horas naquela reunião. Seja mais objetivo e deixe as pessoas trabalharem”, aconselha Maurício Carvalho, CEO da Husky, fintech que se encarrega de tarefas burocráticas para pessoas jurídicas e já tinha a cultura do trabalho remoto.

    Da mesma forma que cabe às lideranças dar diretrizes claras sobre o trabalho de cada um no regime de home office, é também responsabilidade delas definir os objetivos das conversas e conduzir as videoconferências.

    Para separar bem as coisas e contemplar a necessidade de conversas mais informais entre os colegas, a RuaDois, plataforma digital para o mercado imobiliário, transformou o tradicional happy hour das sextas em um encontro virtual. “Um bate-papo, com direito a uma cervejinha, para fechar a semana e manter a conexão do time”, diz o CEO, Paulo Fernandes.

    Exercite a tolerância e a empatia

    Uma pesquisa da consultoria de recrutamento Robert Half ouviu com profundidade 240 funcionários de empresas que estão fazendo home office. Só 39% dos profissionais ouvidos dizem não estar enfrentando qualquer dificuldade.

    No grupo dos 61% restantes, 19% apontam a presença de familiares em casa como a principal problema, enquanto 16% citaram as “distrações” em geral e 7% apontaram as dificuldades de comunicação com as equipes, causadas por problemas de conexão e falta de dispositivos adequados.

    Com todas essas dificuldades em potencial, talvez nem sempre a pessoa consiga se apresentar da melhor forma. E tudo bem, é preciso compreender que se trata de um momento extraordinário.

    “A principal regra para a motivação neste momento é a capacidade de se colocar no lugar de cada um do seu time. Em uma crise, as pessoas primeiro precisam saber que estão seguras. Para isso é essencial que as lideranças absorvam incertezas e não descarreguem as suas próprias dúvidas e anseios no time”, diz Marcelo Furtado, CEO e fundador da Convenia, que oferece soluções para a automatização do departamento pessoal das empresas.

    Faça pelos outros, mas também por você

    “Por fim, uma bobagenzinha importante pro astral nesse momento”, finaliza Fabiana Corrêa. “Capriche no visual porque, na hora que a gente liga a câmera, a gente também se vê. E é bem mais gostoso ver uma cara boa e arrumada na tela do que um ser descabelado e de pijamas.”

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